Empatia para empreender

Existe uma revolução nos relacionamentos, algo que influencia o nosso dia a dia e o mercado de trabalho. Esta transformação revela a necessidade de considerarmos a #empatia para empreender junt@s. Isso significa uma nova visão para aprender cada vez mais com os parceiros e clientes, para alcançar produtividade e rentabilidade em formato colaborativo.
 
As organizações só têm a ganhar com esse novo modo de vivenciar, de produzir, criar e comunicar. Uma cultura que promove mudanças, gera diferenciais para seus colaboradores, mais valorização e resultados.
 
#Empatia serve para transformar as relações sociais, conviver bem com a diversidade, trocar experiências agregadoras, crescer junt@s e em sintonia com o bem-estar coletivo.
 
@conectidea #comunicação

Seu sonho sabe nadar

Por Nanda Soares

Ele estava andando junto a mim. E eu não lhe dei a mão. Então, meu sonho caminhou devagar e entrou no mar da espera. Agora preciso me arriscar entre as ondas para tentar resgatá-lo.

Durante algum tempo reconheci neste sonho a companhia que sustenta. Sonhos são como bons amigos que nos incentivam. Através desse íntimo amigo eu conheci a motivação. E esta, além de ter altos e baixos, é inquieta. É preciso cuidar sempre, como quem segura o pulso de uma criança na rua.

A motivação pode fugir, mas o sonho te olha nos olhos e vai embora, sem correr. Por isso, a cada minuto, a cada novo ou comum acontecimento em nossas vidas, a motivação precisa ser incentivada, vigiada. E a motivação tem tamanho, adapta-se à realidade em que vivemos, seja na vida pessoal ou profissional. Quando esta cresce, o ânimo cresce, cria-se maior expectativa, mais disposição. Portanto, lembre-se: para o sonho dá-se a mão para caminhar junto, mas por outro lado, segura-se pelo pulso a motivação, senão ela foge.

São inúmeras as formas de enxergar sonhos e motivações. Existem aquelas motivações exaustivas, pelas quais você estará sempre sob constante pressão, pois  precisa de respostas. Uma motivação mecânica, cheia de metas que parecem monstros no armário. E não precisa ser assim.

O sonho envolve tudo isso, desde motivação, planejamento e parcerias. Se a motivação demora a ter resposta, ou simplesmente não tem resposta, ela diminui, abaixa, o rendimento cai e ela pode até ser demitida da vida. A motivação é como um botão de liga e desliga, com um controlador de intensidade no meio do caminho. Mas se um sonho não é realizado, fica empoeirado, ou ultrapassado. Ele não diminui, não some. Estará lá no mar esperando resgate, cansado, desidratado. Sonhos são como pessoas queridas, impossíveis de serem deixadas no esquecimento. De repente, ele volta na memória. Aí você tem que lidar com isso: ou se angustia, ou encontra a conhecida nostalgia, ou realiza. Pode ter que fazer ajustes, mas sonhos aceitam adaptações também!

Com certeza já ouviu alguém dizer: “esse era o meu sonho no passado”. Pois bem, é o período em que a realização daquele sonho do passado já não cabe mais no hoje, pois o contexto é outro; a gente vira outro. Estamos em constante mutação e os sonhos não são diferentes. Chega aquele dado momento no qual você precisa se colocar e realmente se arriscar entre as ondas. Não se preocupe, o sonho sabe nadar. Para resgatá-lo é preciso algum esforço, é preciso se molhar, quebrar ondas. Eu sei o que estou dizendo, pois meu sonho certa vez entrou no mar, lembra-se?

O Resgate

Primeiro, você tem que saber nadar. Se não sabe, aprenda, qualifique-se! Você vai precisar ir e voltar por algumas vezes, e o sonho só te observa. O esforço deve ser seu. E se você, com determinação, quiser que ele volte, em algum momento ele vai tentar vir ao seu encontro também. Vai nadar na sua direção, com dificuldade. Quando vocês se encontrarem, não lutem contra o mar. Basta dar as mãos e ter foco para encontrar o caminho certo. As ondas chegarão à praia. Logicamente tem gente que vai longe demais, indo atrás do sonho distante demais. Neste caso, avise o salva-vidas, os bombeiros consultores. Tente resgatá-lo sim, mas não vá sozinha para não se afogar. Saiba reconhecer os riscos. Chame a motivação para te ajudar!

Quando se resgata um sonho do mar, há de se ter uma conversa franca com ele. É preciso abraçá-lo e explicar o motivo de tê-lo deixado de lado. É preciso pegar sua mão, olhá-lo nos olhos e mesmo que tenham de fazer um longo caminho até a casa da realização, você terá uma companhia preciosa, a quem poderá confiar suas esperanças; alguém que se manterá firme e crescerá com você, até a concretização. E não importa o quanto ele tenha que se adaptar, sonhos são elásticos, sabem boiar no tempo, perdoam com facilidade, mas são bem exigentes.

Portanto, aprenda, eduque os monstros no armário, planeje, segure sua motivação pelo pulso, cuide dela: assim terá ajuda para salvar o sonho, caso ele resolva ir nadar no mar.

Crônica para empreendedor@s.

Vídeo de sensibilização: Garota de Programa – Assédio no bar

Projeto Diálogos pela Liberdade produz vídeos que revelam o peso do estigma e violações de direitos sofridos pelas garotas de programa

O projeto DIÁLOGOS PELA LIBERDADE busca superar visões distorcidas, moralistas e preconceituosas sobre as garotas de programa, que acabam por colocá-las como “vítimas” ou “coitadinhas”, reduzindo-as aos aspectos de fragilidade, impotência e imobilidade.

O preconceito vivenciado pelas mulheres que exercem a prostituição também se reflete diretamente em suas vidas sociais, fora do ambiente dos programas. Elas precisam lidar com a discriminação, assédio e insegurança. Os estereótipos e desqualificações têm sido continuamente reforçados pelo imaginário social, pelo machismo, pelos meios de comunicação de massa, gerando consequências como a vulnerabilidade de direitos. Temos como propósito a sensibilização da sociedade para esta problemática.

Este vídeo é baseado em fatos reais. Depoimentos de mulheres que trabalham nos hotéis de prostituição da Zona Guaicurus de Belo Horizonte fomentaram o roteiro. O assédio e o preconceito foram relatados de diversas formas, desde o cliente que intimida no metrô ou que assedia na padaria, sustentando a ameaça de contar a todos que aquela mulher é puta, até casos de violência física e exploração comercial. O fato de ter que ocultar o seu trabalho também gera conflitos emocionais e mina as possibilidades de interação social. As prostitutas, na maioria das vezes, são marginalizadas e têm suas vidas sociais e pessoais invadidas com base em sua atividade. Ao revelar sua profissão, a amiga, mulher, cidadã, mãe e todas as outras posições que ocupa na sociedade perdem a credibilidade. Ela passa a ser desqualificada.

É preciso fomentar a área de conhecimento sobre direitos da mulher e sensibilizar contra a violência de gênero. Nosso objetivo é empoderar as mulheres que exercem a prostituição para que, mediante sua autogestão, melhorem suas condições de vida. Além disso, propomos uma ampla reflexão sobre o tema.

Mulher, mãe, irmã, filha, provedora, cidadã, prostituta. Elas têm direito a melhores condições de trabalho, saúde e segurança, assim como você?

PENSE! ENFRENTE SEU PRECONCEITO.

Acompanhe nossos canais e veja o próximo vídeo: 
Batom com preconceito - Comparando as putas com a gente?
FICHA TÉCNICA – VÍDEO GAROTA DE PROGRAMA – ASSÉDIO NO BAR

Idealização

Projeto Diálogos pela Liberdade

Assessoria e Gestão de Projeto

Conectidea – Comunicação e Articulação Social

Realização e coordenação de vídeo

GUILHERME PEDREIRO

Atriz/Atores

FERNANDA RODRIGUES

ISAQUE RIBEIRO

SAULO SALOMÃO

Direção

GUILHERME PEDREIRO

Direção de cena

LEANDRO WENCESLAU

Direção de fotografia

GUILHERME PEDREIRO

Roteiro

NANDA SOARES

Preparação de atores

ODILON SCHAPER ESTEVES

Direção de arte e figurino

THÁLITA MOTTA

Maquiagem

NATALIZ GONZAGA

Assistentes de produção

DAYANNE MIRANDA

GUIDA FELIPE

Assistente de Fotografia e Gaffer

BRENO CONDE

Operação de câmera

THIAGO SILVA COELHO

Operador de ronin

GUILHERME LEMOS

RODRIGO COSTA

Fotografia still e making off

BERNARDO TEIXEIRA

JULIA RESENDE TAVARES

Som direto

NELIO COSTA

Trilhas e sound designer

PEDRO JÁCOME

Montador e colorista

GUILHERME PEDREIRO

Agradecimentos

FERNANDO EVANGELISTA

LEONARDO BARCELOS

HENRIQUE FERREIRA CUNHA

VICTOR GUTEMBERG

ERICK RICCO

FELIPE GURI

RODRIGO FRAGA

Apoio

MISEREOR

CONECTIDEA

A CASA

ESTÚDIOS QUANTA

BIL’S CINEMA E VIDEO

ERA

JAGER FILMES

Release: Conectidea

American Reflexxx – O confiante e o diferente assustam

O documentário, curta-metragem, dirigido por Ali Coates em Myrtle Beach (Carolina do Sul/EUA) é um experimento social revelador e assustador. O que uma máscara de espelho pode provocar nas pessoas? Parece que ali vemos o reflexo de uma sociedade que se enfurece com o desconhecido, com o diferente; ainda mais quando esse diferente parece confiante.

Jovens, mulheres e homens, curiosos, armados com seus celulares. Câmera em punho, palavras no gatilho e a ousadia da violência gratuita. A performance de Signe Pierce, que usava roupas de stripper e uma máscara reflexiva tampando seu rosto,  não apenas chamou a atenção do público que passava por uma movimentada rua, como também trouxe à tona o que há de pior em nossa sociedade. Minutos inquietantes que mostram as pessoas curiosas acompanhando seu caminhar, querendo ver o que acontece depois. Uma câmera em movimento, a reação das pessoas sendo registradas e o clima vai ficando cada vez mais pesado. Um vestido azul muito curto, salto alto, gente tentando descobrir se ela é homem, mulher ou trans. Sua identidade de gênero é uma incógnita. As pessoas riem, a seguem, jogam coisas, a derrubam violentamente. Mulheres notavelmente como autoras das violências. Não a queriam ali, a machucaram.

É deprimente, chocante e assustador ver como o confiante e o diferente assustam. Nossa sociedade engolida pelo preconceito, pela intolerância vivida e praticada entre jovens, justo aqueles que deveriam ter um olhar mais aberto sobre o mundo. Após jogarem água e objetos, a empurram. Uma mulher a empurra com as mãos e os outros com a conivência. Ela cai e fica. Ninguém faz nada. Ela se levanta, sangue no joelho.

As pessoas se sentem afrontadas por aquilo que lhes parece contrário e canalizam toda a sua raiva para cometer atos de violência. Por estarem em grupo, sentem-se ainda mais corajosas. Ninguém se importa se está sendo filmado. Primeiro se divertem, depois atacam. Há algo de desumano tomando conta.

Marina Abramovic  realizou trabalhos pioneiros ao expor seu próprio corpo à face da verdadeira natureza humana. Suas performances buscavam trazer à tona sentimentos e comportamentos escondidos, que aparecem quando somos provocados. Em 1974, com o projeto Rhythm, ela ficou à mercê do público que poderia usar os 72 objetos disponíveis na mesa da forma como quisessem em seu corpo. Ali estavam uma arma, uma bala e um chicote. Tudo começou com curiosidade e acabou em violência, assim como no vídeo de Ali Coates.

"O que eu aprendi é que se você deixar nas mãos do público, eles podem te matar. Eu me senti realmente violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa na minha barriga, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e outra a retirou. Isso criou uma atmosfera agressiva. Depois de exatamente 6 horas, como eu tinha planejado, me levantei e comecei a caminhar em direção ao público. Todos fugiram para escapar de uma confrontação presente." Abramovic, após a performance "Rhythm 0" (1974)

As pessoas testam os limites de sua própria índole, mas são incapazes de olhar cara a cara para as suas atitudes. Ali, com Abramovic, ninguém queria ser confrontado.

O mais inquietante na vídeo-performance de Signe Pierce é seu rosto coberto. As pessoas olham e enxergam seu próprio reflexo. A violência é refletida. Em alguns momentos ela se volta e parece enfrentar o público, que corre, como se tivesse cutucando um bicho que acordou.

Onde está a liberdade de ir e vir? Somos livres para sermos o que quisermos? O que isso nos diz sobre estereótipos, sobre estigma? Para refletir!

A era das solidões disfarçadas

Então é isso. A virtualidade alheia se acomoda onde a real presença deveria estar.

A solidão nunca foi tão real. Mas, no silêncio de um quarto enfeitado de histórias e com o aroma do próprio perfume, boa música e palavras para escrever, essa distância parece trazer certa calmaria. Enquanto isso, por aí, estão as solidões agitadas, disfarçadas nas boates lotadas, com gente bebendo seus copos de coragem.

Ninguém quer ficar sozinho, mas está. O amigo que mora longe, o que casou e adotou uma nova versão de diversão, aquele isolamento em mundos tão restritos e tão supostamente protegidos. Será mesmo que querem o não envolvimento? Será mesmo que a moda é o descompromisso amoroso? Mas, até mesmo o amor tem novos significados. Os amores dos contos de fadas já não fazem tanto sucesso como antigamente, mas nem por isso deixamos de sonhar com príncipes e princesas. Hoje em dia, após pouco tempo de convivência, as pessoas se dão ao direito de tentar mais uma vez, mais uma história, mais um talvez. Parece que estão sempre à espera do que caiba em sonhos fartos de expectativas cinematográficas. Afinal, quem não quer viver uma comédia romântica?

Então é isso, homens e mulheres reclamando da dificuldade de se relacionar. Na verdade, fica o medo da entrega, da intimidade, do contato com a imperfeição, pois, até dado momento, a mágica do “não-problemas, não-compromisso, não-família” está vigorando. Mas é a superficialidade que facilita a distância. Vê-se apenas o bonito, o maquiado. A maquiagem dos homens e mulheres. Tudo anda tão maquiado hoje em dia que quando se deparam com a proximidade, com a cara lavada, as pessoas recuam com medo de enfrentar uma ilusão. Neste tempo e espaço acabam confundindo o real significado de ilusão.

@Nanda Soares – Xícara Conteúdo

Bullying, depressão e um balão prestes a estourar

Meninas de asas quebradas

Tudo em nós que parece não se encaixar aos padrões, é passível de bullying. Na escola, na academia, na família, na universidade, na rua, na internet. E agora? O bullying virtual está em todos os lugares e vemos cada vez mais histórias de meninas que, acuadas e pressionadas pelas ações de terceiros mal intencionados, entram em depressão, colapso nervoso, desenvolvem anorexia, bulimia e outros distúrbios que fazem mal a elas mesmas. Os outros: os outros continuam rindo, fingindo não ver, vivendo suas vidas.

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Bullying quebra asas – Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

 

Com as redes sociais, vemos um campo aberto para disseminação de ofensas que podem afetar e até mesmo devastar a vida das pessoas. A autoestima e a segurança para seguir em frente é atropelada. Vemos por aí meninas de asas quebradas, presas em infernos astrais e pesadelos da vida real. É como se vivessem pisando em balões de gás, prestes a estourar. Lá embaixo, um abismo de exposição, olhares e julgamentos. Muitas vezes, o tombo é tão grande que leva à morte. Essa é uma metáfora para falar dos casos de meninas que sofrem tanta fadiga emocional que chegam ao suicídio.

A depressão altera o humor, o comportamento, o desejo, a saúde. A tristeza e medo persistentes mudam a pessoa que sofre com isso. E mudam suas relações no mundo. O caso de Amanda Todd, uma adolescente de 15 anos, é exemplo disso. As agressões teriam começado quando ela teve sua imagem exposta em um página no facebook criada para divulgar a jovem de topless. Como isso aconteceu? Aos 12 anos ela foi convencida a mostrar os seios pela internet e depois disso sua vida virou um pesadelo. A página se disseminou e os colegas da escola não deram trégua. Ela se mudou de casa e de várias escolas, mas o assédio foi além do que ela poderia suportar. Amanda se enforcou após a saga de sofrimento decorrente do cyberbullying. E isso não é um fato isolado. Por isso temos que refletir, informar, sensibilizar, prevenir e buscar formas de punir os agressores. A adolescente Rebecca Ann Sedwick, 12 anos, suicidou-se na Flórida, depois de passar mais de um ano sendo aterrorizada com  o bullying on-line dos colegas. Segundo a mãe da menina, sua filha recebia mensagens de texto como: “Você é feia”, “Por que você ainda está viva?” e “Se mate”.

Infelizmente, as testemunhas de bullying acabam se calando por medo de serem a próxima vítima. Mas esse comportamento precisa ser orientado para novas formas de empoderamento. As vítimas sofrem caladas e são sufocadas por ameaças, por calúnias em cima do acontecido, por palavras e atos hostis, além do isolamento. Quando isso acontece na escola, quais atitudes são tomadas pela direção e professores?

Reduzir a prevalência de bullying nas escolas pode ser uma medida de saúde pública altamente efetiva para o
século XXI. (Lopes Neto – Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria)

Bullying quebra asas, afoga o potencial de interação das pessoas, modifica sentimentos, agride, mata. A estudante Julia Gabriele, de 12 anos, foi vítima de cyberbullying no facebook, feito por contestáveis páginas de humor. Postaram suas fotos e fizeram brincadeiras desagradáveis sobre seus pelos faciais.A Revista Toda Teen contou o caso de Julia, seu desespero e a repercussão em sua família. Mãe e filha choraram e suplicaram para que parassem.

Me odeiam, mas eu nunca fiz nada para nenhum deles. (Julia)

Meninas, entendam: Bullying e cyberbullying são crimes. Denunciem!

@Nanda Soares para Why Menina

Amor próprio faz cosquinha na alma

SE AMAR não é tão simples quanto parece. Desde cedo vamos capturando o que é ser bela, o que é ser feliz e construindo aquela casa imensa na qual muitas vezes não podemos entrar. E para o universo feminino, a estética vem de modo avassalador para criar as neuras que nos acompanham.
Amor Próprio
Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

Parece que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo e acabamos nos espelhando nos modelos que vemos na TV, nas revistas,  filmes e nos contos de fadas da vida moderna. Passamos um bom tempo tentando nos adaptar, até entender que não precisamos ser cópias do que julgam mais ou menos bonito, afinal, cada olhar um julgar. Até chegar nesse ponto, uma eternidade chamada autoconhecimento.

Quando eu era mais nova era muito magra, muito magra mesmo. No Brasil, ser muito magra não é algo assim tão desejável não viu. As magrelas vão saber o significado de uma calça em cima da outra para disfarçar o esqueleto e não entrar na linha de fogo da zoação dos colegas. Do outro lado, as meninas com peitos e bundas desenvolvidas e também aquelas que queriam ser magras. Mas por que você quer ser assim? Eu querendo ganhar uns quilinhos e você fazendo dieta do abacaxi?

Como se não bastasse o corpo em crescimento, a pele reclama. As espinhas vêm infernizar nossa vida. Não entendo a necessidade dessa explosão que intimida, que irrita e muitas vezes faz com que a timidez se torne vergonha de si mesma. Vale dizer que a crueldade está realmente muito presente nessa fase. E claro, existem as pessoas que passam por essas mudanças numa boa. A minha fase foi terrível. Uma vez me perguntaram se eu estava com catapora. “Não querida”, são espinhas internas que ficam vermelhas, incham, doem e ainda tem gente como você que vem cutucar a autoestima alheia. Graças à minha mãe pude fazer um tratamento que salvou minha vida pública. Hoje as coisas parecem mais fáceis, pois entendem a acne como algo a ser tratado e que pode deixar marcas profundas não apenas na face, mas também na personalidade de alguém.

Passando por esses momentos, vamos amadurecendo nossas opiniões, as neuras vão mudando e vamos aflorando para a vida. Aprendemos a conhecer o nosso corpo e a encontrar alternativas. Você enxerga que tem qualidades almejadas e o negócio é destacar o que tem de melhor.

Mulher se martiriza tanto…é cansativo. A melhor paixão da vida é a que sentimos por nós mesmas, pois aí sim nos encontramos e enfrentamos qualquer desafio, seja a batalha da aparência ou a conquista do seu lugar no mundo, no mercado de trabalho, nas curvas de nossas escolhas.

Quando nos sentimos bem, e isso pode variar de acordo com os hormônios também (rsrs), ficamos mais seguras e embalamos pacotinhos de felicidade para distribuir por aí. Amor próprio faz cócegas (cosquinha mesmo), NA ALMA.

Quando nos sentimos amadas, tudo muda. Mas nada como amar a si mesma. Sem isso, nada adianta, nada fica bom, tudo desajeita. Eu sempre me senti vivendo cenas de cinema. Muito engraçado como algumas coisas acontecem em câmera lenta. Mas o mais importante: não dá para voltar no tempo. E quanto tempo perdemos tentando achar o que está dentro de nós?

Meninas, espero que encontrem seu amor próprio, lhe abracem e ofereçam um sorvete de alegria sem pensar nas calorias.

@Nanda Soares para Why Menina <3

Por que você fez isso? Revenge Porn

Capa do Filme Cyberbullying
Capa do Filme Cyberbullying

A pornografia de vingança (revenge porn) acontece quando alguém expõe suas fotos ou vídeos íntimos na internet sem o seu consentimento, na maioria das vezes por vingança, raiva ou como provocação, “inocente” brincadeira de mau gosto. Namoro, amizade ou qualquer outro relacionamento pode ter seus altos e baixos, mas nada justifica essa agressão. Ano passado, pela primeira vez, condenaram alguém por esse crime na Califórnia. Um homem publicou fotos de sua ex-noiva desnuda no facebook e ela não deixou barato. Até mesmo os comentários depreciativos que ele fez entraram nessa história. No Brasil, as leis ainda são cheias de brechas.

A pornografia de vingança é uma modalidade do Cyberbulliyng, ação que se caracteriza por hostilização banal sobre a vítima, agredindo e expondo a pessoa por meio de imagens ou textos via internet. Podem usar de diversas ferramentas para tal, configurando assédio moral que acaba tomando uma proporção muito maior no meio virtual. Leia mais sobre Cyberbullying: violência virtual e o enquadramento penal no Brasil.

Imagine como isso pode mudar e até mesmo destruir a vida de uma pessoa. Há casos de meninas que não aguentaram a pressão e tiverem que mudar de cidade. Em casos mais graves, ocorreu suicídio. As vítimas são expostas e todos que fazem parte da sua vida são afetados também.

A Revista Carta Capital publicou uma matéria falando sobre Os suicídios de garotas que tiveram suas fotos íntimas vazadas na internet.

“Hoje de tarde dou um jeito nisso. não vou ser mais estorvo pra ninguém”. Essa foi a frase que a estudante Giana Laura Fabi, de 16 anos, escreveu no Twitter antes de se matar. Ainda segundo a família, o suicídio da garota teria sido motivado pelo vazamento de uma foto sua mostrando os seios. Dias antes, uma estudante do Piauí (17 anos) havia se matado por motivo semelhante.

Como não falar disso? Está acontecendo com nossas meninas em muitos lugares do mundo. Está acontecendo aqui. Qual o papel da escola e do governo nesse sentido? Estamos  totalmente conectados: um clique pode transformar a realidade de muita gente.

Adolescentes seguem padrões rígidos de beleza disseminados por todos os meios. Se antes a TV dominava, agora as redes sociais se misturam ao cotidiano de meninas e meninos. Se fotografar e deixar-se ser fotografad@ virou moda. Cobranças estéticas e a fórmula mágica da felicidade instantânea compartilhadas por aí. Se para mulheres adultas já é pesado encarar tudo isso, imagine para as meninas. No meio do caminho, para satisfazer o desejo estrelado intimamente, tornando-se celebridade para si mesma e para o outro, encontram cortinas abertas quando não deveriam estar.

Mas, lembrem-se, a culpa não é da vítima. A nossa cultura machista reforça o hábito de martirizar quem foi exposto. Infelizmente, é preciso tomar cuidado, pois mesmo as pessoas que achamos que conhecemos e confiamos podem ter atitudes inesperadas. Além disso, existem casos como o da atriz Carolina Dieckmann, que teve suas fotos íntimas roubadas e divulgadas por Hackers. O caso dela (2011) ajudou na criação de uma lei que leva o seu nome: a Lei Carolina Dieckmann. Aprovada pelo Congresso Nacional em 2012, prevê multa e pena de prisão de até um ano para quem acessar e divulgar dados sigilosos sem autorização.

Outras celebridades como Rihanna, Wynonna Ryder, Demi Lovato e Vanessa Hudgens também tiveram fotos divulgadas. De acordo com informações do BuzzFeed, as fotos podem ter sido roubadas por causa de um problema no sistema de backup iCloud, da Apple.

Precisamos sim de leis que punam essas atitudes, mas precisamos também de informação, de uma educação não sexista, de relacionamentos verdadeiramente confiáveis, de mais atenção aos nossos jovens, de uma transformação social.

Nanda Soares para o Blog do Projeto Why Menina

Põe um pouco de cor nesse mundo

Sabe o que acontece? Mau humor contamina. Tudo que é fechado te sufoca, não provoca. A vida foi feita para ser provocada, de modo a palpitar entusiasmo. Só assim que vale a pena, que faz cócegas no cantinho da boca para sorrir. Do contrário, o peito aperta, a dúvida surge, o choro vem.

A gente tem que tentar por um pouco de cor nessa vida, ou acaba vivendo um chá sem gosto e sem cor. Será que refletimos o que pensamos? Será que as pessoas e o ambiente à nossa volta transbordam o que sentimos? Bom, tem hora que atitudes positivas diante do que parece negativo ajudam sim. Mas cuidado com o humor alheio, cuidado com as palavras, afinal, você não sabe o que se passa ali do outro lado daquele coração.

É como Vinícius de Morais disse: “é melhor ser alegre que ser triste”, mas a gente nem sempre controla isso. Ser alegre demanda muito mais, pois a tristeza chega fácil e se instala sem nem pedir licença. Então, vamos à academia da felicidade. Dói um pouco tomar algumas decisões, mas o resultado geralmente é bom.

Até a próxima! Seja feliz! Tem hora que é questão de escolha.

Nanda Soares

O ser e o relacionar-se na era das redes sociais

As relações sociais ganham novos formatos e, ao mesmo tempo em que se tem toda a atenção voltada para a presença on-line, também se criam distanciamentos. As redes sociais revelam valores e comportamentos das pessoas, apresentando reforço negativo ou positivo que
contribuem para a manutenção ou mudança de atitudes e posicionamentos.

Por fim, ainda estamos no caminho, mas já encontramos indícios de uma era que está se configurando com muitas adaptações: a era virtual. As máquinas nos acompanham e nós acompanhamos as máquinas. O mundo on-line permite que sejamos múltiplos, e nessa
multiplicidade encontram-se inseridas a nossa cultura, nossa moral e costumes. O virtual, ao mesmo tempo em que abre caminhos para que as pessoas possam se expressar e ganhar voz na sociedade, também cria escudos que legitimam a distância e prejudicam a comunicação face a face.

As opções para se transformar e assumir novas personalidades geram um certo desconforto quando se pensa que essa não é a melhor saída para resolver problemas de relacionamento e, por outro lado, proporciona alívio àqueles que de fato não conseguem se integrar e interagir no mundo real. Portanto, vivemos em um mundo cheio de contradições, no qual as redes sociais assumem papel importante na manutenção de laços, na comunicação e interação.

As redes sociais, vistas como buracos de fechadura, revelam mais do que muitos poderiam prever ou mesmo imaginar. Ali, tanto o inconsciente quanto o consciente se manifestam. Nesse contexto, deve-se tomar cuidado para que, na mistura entre virtual e real, não deixemos de viver a coletividade, o contato com o próximo, a troca genuína de experiências e, principalmente, que possamos evitar a descaracterização de nós mesmos.

* Considerações finais do meu artigo intitulado O BURACO DA FECHADURA DAS REDES SOCIAIS – VIDA REAL VERSUS VIDA VIRTUAL, 2012. Trabalho realizado sob orientação de Rodrigo Capella – MBA.

Até a próxima!

Nanda soares

As redes sociais nos pegaram ou nós nos agarramos a elas?

A velocidade e função terapêutica da rede

Por Nanda Soares

As redes sociais nos pegaram ou nós nos agarramos a elas? Nessa onda de relacionamentos virtuais, sentimentos ainda são muito reais.

Às vezes realmente parece que coisificamos. São tantos recursos e inovações que se apresentam para nós que, em dado momento, sentimos que precisamos de um novo HD-cérebro ou mais memória RAM. Somos especialistas e, de fato, sabemos um pouquinho de cada coisa. E onde está a concentração para decodificar, assimilar e interagir com tudo isso? Onde é que se compra foco?

Você se concentra, aprende uma nova tecnologia, é capaz de reproduzir  as ações, mas, eis que chega a inovação da inovação. A novidade fica ultrapassada. É a moda das novas tecnologias. Era Digital, virtual, da informação, da tecnologia e mais algumas eras para se enquadrar.  E sobre se atualizar? Minha nossa, por onde começar? Aí está o problema.  Em um mercado que te pede para ser multifuncional, há de se encontrar o tal foco.

Outra coisa que nos segue (não estou falando de Twitter) é o vocabulário criado nas redes. A gente incorpora e usa por diversas vezes sem perceber. Porém, é preciso que se entenda que muita gente não conhece os termos utilizados na internet, fazendo-se necessário adaptarmos nossa linguagem para a vida social também.

Para conversar pela internet é preciso pensar rápido e enviar a mensagem ligeiramente. Com isso, por um lado abreviamos nossa forma de expressão e, por outro, criamos uma estratégia para dizer o que se quer em poucas palavras. Ainda assim, usamos os links como apoio e fica difícil ter tempo para dizer tudo que se deseja. Mais informação e menos densidade. Aí entramos num outro tema, a superficialidade das relações.

De qualquer modo, internet também já virou terapia. Com tantas coisas disponibilizadas na rede, tais como jogos, livros, receitas, fotos, vídeos etc, pode-se sim passar horas em frente ao computador sem perceber, distraídos, rindo ou chorando sozinhos, aprendendo, conferindo as novidades resumidas, vendo o que não foi possível ver e vivendo virtualmente o que o cotidiano não te deixou viver. O que não deixa de ser um risco também. Ater-se à tela e acabar gostando mais do mundo virtual que do real. Isso já acontece e não é história recente. Hoje vamos falar das redes sociais enquanto terapeutas. Citemos o facebook como exemplo.

Fulano escreveu que está cansado e deprimido. Logo depois descobre que não é o único, pois ciclana e outros mais respondem falando de si mesmos também, concordando com o pensamento, dando a mão virtual do “eu te entendo”. De vez em quando vêm as frases e comentários de motivação ou gozação. Observa-se imagens e frases em tom de zombaria, que muitas vezes não são entendidas como forma indireta de agressão, sendo compartilhadas e curtidas pela “galera”.  Através das redes vemos pessoas expressando não somente suas idéias, mas também valores, preconceitos e sentimentos, muitas vezes dos mais íntimos. É um caderno à mostra, um diário onde mágoas e raivas são despejadas. Também se veem manifestações de felicidade e de carinho. Um novo mundo que nos permite tornar público o nascimento do filho, a festa que se foi, o doce que comeu, a viagem que fez, o amor que conheceu, o amigo encontrado ou a realização de um projeto. Somos todos e todas como namoradeiras à beira de janelas na internet. Quer-se saber da vida do outro, como na vida aqui fora. Comparamo-nos, felicitamo-nos, criticamo-nos. Quer-se falar de si para os outros. Divulgar e compartilhar o que há de bom ou de ruim, na espera de uma resposta. Forma-se então a interatividade terapêutica da rede.

Revelar fragmentos da vida e do pensar, seja entre os amigos, amigos de amigos ou para qualquer pessoa, é um modo de dialogar com o outro e consigo mesmo. Encurtam-se distâncias de certa maneira e, simultaneamente, mantêm-se a zona de conforto. Comunica-se e ponto, sem muito cuidado. Quando surgem as imagens e frases de impacto para serem compartilhadas, é possível perceber a interação passiva também. Compartilho a ideia, mas não tenho tempo para pensar como escrever para dizer o motivo de minha concordância. Ainda assim, é válido, pois coloca-se de lado o “eu” em prol de uma causa. Apesar de que, tem muita gente compartilhando e apenas dizendo que curtiu coisas sem ler, sem nem saber direito do que se trata, sem pensar a mensagem. Afinal, são tantas mensagens de uma só vez que fica difícil. Espreme-se o conteúdo e dá-se um jeito de dizer que esteve ali. E mais, as frases com ou sem aspas de diversos autores são usadas para dizer seu humor do dia, revelam parte da sua personalidade, seus gostos, reverenciam suas escolhas e posicionamentos. Não é à toa que empresas pedem para ver os perfis dos futuros profissionais. Já parou para pensar que o seu perfil no facebook daria uma boa análise psicológica?

Então, as redes sociais nos pegaram ou nós nos agarramos a elas? A tecnologia nos mostrou um novo caminho. Neste caminho precisamos de um saber diversificado e também entrar em contato com nós mesmos. Precisamos entender o isolamento que aproxima. Nos transformamos em vozes, imagens e palavras. Já fomos transformados em números e agora somos perfis. E às vezes múltiplos. Somos seres sociais e tentamos nos inserir, abrindo-nos para uma sociedade virtual.

By Nanda Soares

Mania de escrever

cronicasUnir palavras vai além de mero português concordante, de pontos e vírgulas felizes. Essa ação vem recheada de significados, de intenções e desapegos, pois para escrever e divulgar a gente precisa desapegar das nossas ideias para torná-las coletivas.

Nessa coletividade de mensagens, sejam certas ou incertas, doamos estilo, vontade, humor, sono e cuca pensante. E para quem adora escrever, mas tem problema com tempo e atenção, o sacrifício é maior ainda. Um sacrifício exposto, conhecido, curioso e sedento de contemplação.

Então vamos lá! Vamos iniciar essa jornada escrita que traz inúmeros conhecimentos que outrora nem se cogitava saber.

Nanda Soares – Conectando Ideias