IPEA divulga retrato das desigualdades de gênero e raça no Brasil

O Retrato das desigualdades de gênero e raça disponibiliza um panorama atual das desigualdades de gênero e de raça no Brasil, sob diferentes perspectivas dos campos da vida social, baseando-se em indicadores  da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), com dados do IBGE coletados no período de 1995 a 2015.

O objetivo é apresentar informações sobre a situação de mulheres, homens, negros e brancos em nosso país.

São 12 blocos temáticos:

  1. População;
  2. Chefia de Família;
  3. Educação;
  4. Saúde;
  5. Previdência e Assistência Social;
  6. Mercado de trabalho;
  7. Trabalho Doméstico Remunerado;
  8. Habitação e Saneamento;
  9. Acesso a Bens Duráveis e Exclusão Digital;
  10. Pobreza, Distribuição e Desigualdade de Renda;
  11. Uso do Tempo;
  12. e Vitimização”.

Avanços e assimetrias relacioandas à desigualdade de gênero e raça no país são expostos por meio de estatísticas descritivas que retratam a situação do nosso povo.

O projeto

O projeto nasceu em 2004 e atualmente é resultado de uma parceria entre Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres) e SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério da Justiça e Cidadania).

Acesse: http://www.ipea.gov.br/retrato/

SOMOS MULHERES LIVRES PARA SER RP

Ser livre para estudar, opinar e escolher a própria profissão.

Ter direito a esta escolha não foi fácil e faz parte da luta das mulheres pela sua emancipação na sociedade, acesso e reconhecimento no mercado de trabalho.

Apenas há 137 anos, as mulheres tiveram autorização do governo brasileiro para estudar em instituições de ensino superior. Muitas eram criticadas e, ainda hoje, questionadas quando escolhem profissões consideradas predominantemente masculinas.

As comemorações do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, geralmente ocultam as reinvindicações de mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho e pelo direito ao voto. É por causa da caminhada corajosa delas que temos liberdade para nos formar e atuar como Relações Públicas. Hoje, somos maioria em nosso mercado, mas apesar de exercermos cargos gerenciais na comunicação corporativa, ainda não estamos em pé de igualdade quando se trata de cargos de direção (Aberje).

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), 70 anos é a média de tempo calculada para que haja paridade salarial entre mulheres e homens. Entre 1995 e 2015, em nível global, a diferença diminuiu apenas 0,6%.

Como alternativa de resposta a este tema, o 5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ONU), que visa “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”, propõe uma série de ações a serem trabalhadas, dentre elas: “garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública”. Neste ponto, as empresas privadas e órgãos públicos têm papel fundamental na construção da igualdade de gênero e desconstrução do machismo, tendo a chance de incorporar valores e princípios que expressem essa ideia na sua cultura organizacional.

Consciência e solidariedade

Nossa história é cercada pela resistência e enfrentamento ao machismo. Para exercer nossa cidadania, vivenciamos anos e anos de submissão a um sistema patriarcal que ainda nos atropela com retrocessos. No Brasil, somente em 1932 (12 anos após o Sufrágio Feminino nos EUA) foi promulgado o Código Eleitoral que nos garantiu direito ao voto. Há 54 anos (em um passado não muito distante), as mulheres precisavam pedir autorização ao seu marido ou pai para trabalhar; não tinham direito à propriedade ou mesmo de guarda sobre seus filhos. Isso só começou a mudar oficialmente com a LEI No 4.121, DE 27 DE AGOSTO DE 1962. A autonomia veio como oportunidade de crescimento intelectual feminino e como libertação, apesar da jornada cumulativa que ainda está em processo de discussão e transição diante de novos papéis assumidos por homens e mulheres no mundo. Sonhamos com uma sociedade que preze pela parceria. 

Os meios de comunicação, especialmente após o advento das redes sociais, também dão voz a inúmeras manifestações que denunciam discriminações, abusos, injustiças, revelam e pedem o fim da violência contra as mulheres. Atualmente, presenciamos e participamos de ações de sensibilização que nos ajudam a assegurar a permanência de nossos direitos, construir e desconstruir estereótipos que nos expõem à violência. A problemática feminina é uma questão social, e por isso, como proferiu Alexandra Kollontai, o Dia da Mulher deveria ser dia de consciência política e de solidariedade internacional.

Nanda Soares 
Relações Públicas CONRERP 3/2296 
Consultora de Comunicação e Articulação Social na Conectidea
Conselheira do Conselho Regional de Relações Públicas - 3ª Região

Os homens e os esmaltes da Risqué

Polêmica da nova coleção de esmaltes da Risqué demonstra como o empoderamento feminino está em pauta.

Um produto feminino inspirado em atitudes dos homens que influenciam na cor de esmalte que a mulher vai usar. Quando comecei a ler a descrição dos esmaltes, pensei que poderia ter o nome de uma mulher, mas quem sabe poderia se desenvolver como boa ideia. Na verdade, a ideia foi “boa”, mas a redação “falhou”. Bem, já não sei mais. Quando o primeiro esmalte fala que o André fez o jantar, dá aquela ideia de parceria, de poder ficar com as unhas feitas mais um tempinho porque o cara ajudou (mas isso não deveria ser exatamente algo para surpreender uma mulher).

Nanda Soares para Why Menina – Continuar lendo: Os homens e os esmaltes da Risqué.

Bullying, depressão e um balão prestes a estourar

Meninas de asas quebradas

Tudo em nós que parece não se encaixar aos padrões, é passível de bullying. Na escola, na academia, na família, na universidade, na rua, na internet. E agora? O bullying virtual está em todos os lugares e vemos cada vez mais histórias de meninas que, acuadas e pressionadas pelas ações de terceiros mal intencionados, entram em depressão, colapso nervoso, desenvolvem anorexia, bulimia e outros distúrbios que fazem mal a elas mesmas. Os outros: os outros continuam rindo, fingindo não ver, vivendo suas vidas.

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Bullying quebra asas – Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

 

Com as redes sociais, vemos um campo aberto para disseminação de ofensas que podem afetar e até mesmo devastar a vida das pessoas. A autoestima e a segurança para seguir em frente é atropelada. Vemos por aí meninas de asas quebradas, presas em infernos astrais e pesadelos da vida real. É como se vivessem pisando em balões de gás, prestes a estourar. Lá embaixo, um abismo de exposição, olhares e julgamentos. Muitas vezes, o tombo é tão grande que leva à morte. Essa é uma metáfora para falar dos casos de meninas que sofrem tanta fadiga emocional que chegam ao suicídio.

A depressão altera o humor, o comportamento, o desejo, a saúde. A tristeza e medo persistentes mudam a pessoa que sofre com isso. E mudam suas relações no mundo. O caso de Amanda Todd, uma adolescente de 15 anos, é exemplo disso. As agressões teriam começado quando ela teve sua imagem exposta em um página no facebook criada para divulgar a jovem de topless. Como isso aconteceu? Aos 12 anos ela foi convencida a mostrar os seios pela internet e depois disso sua vida virou um pesadelo. A página se disseminou e os colegas da escola não deram trégua. Ela se mudou de casa e de várias escolas, mas o assédio foi além do que ela poderia suportar. Amanda se enforcou após a saga de sofrimento decorrente do cyberbullying. E isso não é um fato isolado. Por isso temos que refletir, informar, sensibilizar, prevenir e buscar formas de punir os agressores. A adolescente Rebecca Ann Sedwick, 12 anos, suicidou-se na Flórida, depois de passar mais de um ano sendo aterrorizada com  o bullying on-line dos colegas. Segundo a mãe da menina, sua filha recebia mensagens de texto como: “Você é feia”, “Por que você ainda está viva?” e “Se mate”.

Infelizmente, as testemunhas de bullying acabam se calando por medo de serem a próxima vítima. Mas esse comportamento precisa ser orientado para novas formas de empoderamento. As vítimas sofrem caladas e são sufocadas por ameaças, por calúnias em cima do acontecido, por palavras e atos hostis, além do isolamento. Quando isso acontece na escola, quais atitudes são tomadas pela direção e professores?

Reduzir a prevalência de bullying nas escolas pode ser uma medida de saúde pública altamente efetiva para o
século XXI. (Lopes Neto – Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria)

Bullying quebra asas, afoga o potencial de interação das pessoas, modifica sentimentos, agride, mata. A estudante Julia Gabriele, de 12 anos, foi vítima de cyberbullying no facebook, feito por contestáveis páginas de humor. Postaram suas fotos e fizeram brincadeiras desagradáveis sobre seus pelos faciais.A Revista Toda Teen contou o caso de Julia, seu desespero e a repercussão em sua família. Mãe e filha choraram e suplicaram para que parassem.

Me odeiam, mas eu nunca fiz nada para nenhum deles. (Julia)

Meninas, entendam: Bullying e cyberbullying são crimes. Denunciem!

@Nanda Soares para Why Menina

Amor próprio faz cosquinha na alma

SE AMAR não é tão simples quanto parece. Desde cedo vamos capturando o que é ser bela, o que é ser feliz e construindo aquela casa imensa na qual muitas vezes não podemos entrar. E para o universo feminino, a estética vem de modo avassalador para criar as neuras que nos acompanham.
Amor Próprio
Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

Parece que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo e acabamos nos espelhando nos modelos que vemos na TV, nas revistas,  filmes e nos contos de fadas da vida moderna. Passamos um bom tempo tentando nos adaptar, até entender que não precisamos ser cópias do que julgam mais ou menos bonito, afinal, cada olhar um julgar. Até chegar nesse ponto, uma eternidade chamada autoconhecimento.

Quando eu era mais nova era muito magra, muito magra mesmo. No Brasil, ser muito magra não é algo assim tão desejável não viu. As magrelas vão saber o significado de uma calça em cima da outra para disfarçar o esqueleto e não entrar na linha de fogo da zoação dos colegas. Do outro lado, as meninas com peitos e bundas desenvolvidas e também aquelas que queriam ser magras. Mas por que você quer ser assim? Eu querendo ganhar uns quilinhos e você fazendo dieta do abacaxi?

Como se não bastasse o corpo em crescimento, a pele reclama. As espinhas vêm infernizar nossa vida. Não entendo a necessidade dessa explosão que intimida, que irrita e muitas vezes faz com que a timidez se torne vergonha de si mesma. Vale dizer que a crueldade está realmente muito presente nessa fase. E claro, existem as pessoas que passam por essas mudanças numa boa. A minha fase foi terrível. Uma vez me perguntaram se eu estava com catapora. “Não querida”, são espinhas internas que ficam vermelhas, incham, doem e ainda tem gente como você que vem cutucar a autoestima alheia. Graças à minha mãe pude fazer um tratamento que salvou minha vida pública. Hoje as coisas parecem mais fáceis, pois entendem a acne como algo a ser tratado e que pode deixar marcas profundas não apenas na face, mas também na personalidade de alguém.

Passando por esses momentos, vamos amadurecendo nossas opiniões, as neuras vão mudando e vamos aflorando para a vida. Aprendemos a conhecer o nosso corpo e a encontrar alternativas. Você enxerga que tem qualidades almejadas e o negócio é destacar o que tem de melhor.

Mulher se martiriza tanto…é cansativo. A melhor paixão da vida é a que sentimos por nós mesmas, pois aí sim nos encontramos e enfrentamos qualquer desafio, seja a batalha da aparência ou a conquista do seu lugar no mundo, no mercado de trabalho, nas curvas de nossas escolhas.

Quando nos sentimos bem, e isso pode variar de acordo com os hormônios também (rsrs), ficamos mais seguras e embalamos pacotinhos de felicidade para distribuir por aí. Amor próprio faz cócegas (cosquinha mesmo), NA ALMA.

Quando nos sentimos amadas, tudo muda. Mas nada como amar a si mesma. Sem isso, nada adianta, nada fica bom, tudo desajeita. Eu sempre me senti vivendo cenas de cinema. Muito engraçado como algumas coisas acontecem em câmera lenta. Mas o mais importante: não dá para voltar no tempo. E quanto tempo perdemos tentando achar o que está dentro de nós?

Meninas, espero que encontrem seu amor próprio, lhe abracem e ofereçam um sorvete de alegria sem pensar nas calorias.

@Nanda Soares para Why Menina <3

Nas entranhas do feminino

O livro A Tenda Vermelha, escrito por Anita Diamant, traz a fortaleza e a fragilidade das mulheres imersas numa cultura que favorece a negociação de suas vidas. Diante do olhar penetrante que apresenta a narrativa, vamos redescobrindo o cotidiano de personagens bíblicas, sentindo seus anseios, suas alegrias, o gosto das lágrimas e do pão, a dor e o amor que brota de cada relação. Ao mesmo tempo nos entregamos ao desenrolar da história contada por Dinah, filha de Lia e Jacó.

Este livro nos traz diversas provocações e nos coloca diante de um mundo que parece distante, mas que levanta questões não resolvidas até hoje, principalmente em determinadas culturas.

Para mim, foi impactante acompanhar a saga das mulheres menos favorecidas, escravizadas em uma vida pouco ou nada instigante, nada feliz, nada, sempre um nada. Era assim que se viam e eram vistas, como um nada, um mero objeto nada digno de respeito.

Também percebe-se a aspereza, o peso do trabalho, a relação com a natureza e com os animais. O tipo de interação entre os homens também vem à tona revela a intensa “marcação de território”.

Relevantes passagens da trama trazem aquilo que não é implícito nos sentimentos das personagens, configurando detalhes que nos fazem mergulhar cada vez mais na leitura, na descrição e narrativa da história de um núcleo familiar. Sofri e celebrei com Dinah a sua metamorfose.  São as descobertas, os medos, curiosidades e lembranças dessa menina e mulher que constroem o cenário, as cenas, cada por do sol e cada refeição. O diferente se dilui quando nos deparamos com específicas sintonias que dizem respeitos às mulheres.

Aqui, na narrativa de A Tenda Vermelha, confrontamos antigos valores, nos assustamos e nos deliciamos.

A trajetória de Dinah é sugerida apenas no livro de Gênese, e cada vez mais fica claro a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre as mulheres presentes na bíblia. Histórias que ficam à sombra, escondidas. Não é de se admirar que quando alguma narrativa vem à tona, venha com tanta força, como as mais conhecidas descrições de Maria Madalena, Maria de Nazaré, Haab, dentre outras.

Por fim, fica entendida a castração dos sentimentos. Não que estes deixem de existir, mas são enterrados junto com perspectivas, sonhos e alma. Fica clara a força da cortesia, do amor, da entrega e da confiança. Coloca-se à prova toda dor, a submissão, a rivalidade, a compaixão e as próprias crenças.

Não deixem de ler essa obra!

Sobre a autora do livro:
“Nascida em Nova Iorque, Anita Diamant é uma premiada jornalista e autora de cinco livros sobre a vida judaica contemporânea. Durante mais de 20 anos, como jornalista freelancer, escreveu artigos para diversos jornais e revistas. A Tenda Vermelha é sua primeira obra de ficção”. (www.esextante.com.br)

Uma rotina feminina – empreender para transformar

Por Nanda Soares

É isso aí! Não foi fácil chegar até aqui, mas hoje a participação feminina está presente e reconhecida em todas as esferas de desenvolvimento da sociedade. O mercado de trabalho valoriza cada vez mais as contribuições das ideias transformadas em projetos vencedores e agregadores; e é assim que as mulheres empreendedoras trabalham.

Tivemos empecilhos pelo caminho, não é mesmo? Se você está aí decidindo qual o próximo curso a fazer, saiba que apenas em 1879 o governo brasileiro abriu as portas do ensino superior para as mulheres, que mesmo sendo pressionadas por uma massa de desaprovação social, não sucumbiram às pressões e se tornaram profissionais exemplares. E essa foi uma grande travessia contra a discriminação. Aí começa a saga do empreendedorismo feminino em prol da transformação social.

O nível de qualificação das mulheres vem crescendo cada vez mais, mas o caminho a seguir ainda é longo. Nós sabemos bem disso, não é mesmo? O negócio é ir à luta e continuar mostrando na prática a nossa presença e competência.

Mas, afinal, o que significa empreender?

Significa dar início, ter visão, inspiração e seguir em frente para realizá-la. É preciso respirar o ar da busca, a novidade e a efetivação como princípio de vida. O negócio é estudar e se qualificar continuamente. E claro, agir para realizar e transformar a sua realidade.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, só em 2012 mais de 78 mil mulheres buscaram informações sobre abertura e gestão de novos negócios no Sebrae Minas Gerais. Ainda de acordo com a mesma fonte, as mulheres estão no comando. Em pesquisa divulgada pela sua assessoria de imprensa, as mulheres estão mais preocupadas com a sustentabilidade nos negócios, sendo que “o percentual de mulheres (52%) que adotam ações de controle administrativo nas empresas é maior que o dos homens (50%)”. Conclusão geral: é preciso saber gerir para gerar bons resultados.

Invista, realize, transforme. Até a próxima!

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Artigo sob encomenda para o Negócio de Mulher!