Dia Mundial dos Direitos humanos com a ONU Mulheres

Neste dia em que celebramos o Dia Mundial dos Direitos humanos, reforçamos que os direitos das mulheres são #direitoshumanos que precisam ser respeitados.
No dia 26/10/2017, tivemos a honra de compor a mesa do evento “Diálogo com a ONU Mulheres”, promovido pela Comissão Estadual da Mulher Advogada. Representando o projeto Diálogos pela Liberdade, parceria de anos na caminhada da Conectidea, nossa diretora de comunicação e articulação social foi recebida pela vice-presidente da OAB Minas, Helena Delamonica, na sede da seccional mineira da OAB.

 

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Foi uma excelente oportunidade para ouvir a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman, que trouxe dados atualizados sobre o feminicídio no Brasil, destacando que houve considerável aumento na taxa de assassinatos de mulheres, sendo as mulheres negras as mais vulneráveis. Os índices colocam o Brasil na posição de 5º país mais violento do mundo contra as mulheres. Gasman também evidenciou pesquisa que revela que 85% das mulheres têm medo de sair na rua por medo de violência sexual, ou seja, não se sentem seguras nos espaços públicos; e ressaltou a importância de se reconhecer os trabalhos desenvolvidos pelas organizações de mulheres, as mobilizações e os marcos internacionais, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW – sigla em inglês), que é o primeiro tratado internacional que dispõe amplamente sobre os direitos humanos das mulheres, com o propósito de promover a igualdade de gênero e reprimir todas as formas de discriminações contra as mulheres nos Estados-parte.

A imagem pode conter: 6 pessoas, área interna
Os pactos entre governos também buscam a erradicação da violência, o empoderamento das mulheres e a igualdade econômica, mas a caminhada é árdua para se alcançar um mundo mais justo, mais humano e igualitário. Como ação conjunta, mais de noventa países assumiram compromissos concretos para um Planeta 50-50, iniciativa global lançada pela ONU Mulheres em apoio à Agenda 2030.

Conectidea cria roteiro para 2ª edição dos quadrinhos Garotas do Hotel, do Projeto Diálogos pela Liberdade

Em 2016, foi lançada a 2ª edição da revista em quadrinhos GAROTAS DO HOTEL, material informativo e de sensibilização que tem como tema e público as garotas de programa que atuam nos hotéis da Zona de prostituição da Guaicurus, localizada em Belo Horizonte.

O Projeto Diálogos pela Liberdade é uma iniciativa da Rede Oblata, que trabalha a problemática que afeta diretamente as mulheres que exercem a prostituição. O projeto visa conscientizar sobre o estigma sofrido pelas garotas de programa, trabalhalhando temas como desigualdade de gênero, empoderamento, cidadania, vulnerabilidade social e violações de direitos. A Conectidea atua no roteiro e direção criativa da revista, que já está indo para a 3ª edição. Após o sucesso da pimeira edição, o projeto optou por trocar de vez o formato formal de cartilha pelos quadrinhos, que se tornaram  instrumento criativo de aproximação e informação sobre saúde, direitos humanos e temas relacionados às mulheres.

A produção do roteiro tem como inspiração experiências e histórias das próprias mulheres atendidas pelo projeto, que têm acesso a rodas de conversa, atendimento psicológico, terapias holísticas, cursos de capacitação, orientação e encaminhamento social.

A 3ª edição, que será divulgada ainda no primeiro semestre de 2017, tocará em outros assuntos trazidos pelo grupo Filhas da Luta, formado por garotas de programa que debatem sobre seus direitos, sonhos, tristezas e perspectivas.

Acesse a revista no link abaixo:

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Coordenação: @dialogospelaliberdade 

Roteiro e Direção Criativa: @conectidea 

Ilustração: @BlackInk.Cursos

Amor próprio faz cosquinha na alma

SE AMAR não é tão simples quanto parece. Desde cedo vamos capturando o que é ser bela, o que é ser feliz e construindo aquela casa imensa na qual muitas vezes não podemos entrar. E para o universo feminino, a estética vem de modo avassalador para criar as neuras que nos acompanham.
Amor Próprio
Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

Parece que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo e acabamos nos espelhando nos modelos que vemos na TV, nas revistas,  filmes e nos contos de fadas da vida moderna. Passamos um bom tempo tentando nos adaptar, até entender que não precisamos ser cópias do que julgam mais ou menos bonito, afinal, cada olhar um julgar. Até chegar nesse ponto, uma eternidade chamada autoconhecimento.

Quando eu era mais nova era muito magra, muito magra mesmo. No Brasil, ser muito magra não é algo assim tão desejável não viu. As magrelas vão saber o significado de uma calça em cima da outra para disfarçar o esqueleto e não entrar na linha de fogo da zoação dos colegas. Do outro lado, as meninas com peitos e bundas desenvolvidas e também aquelas que queriam ser magras. Mas por que você quer ser assim? Eu querendo ganhar uns quilinhos e você fazendo dieta do abacaxi?

Como se não bastasse o corpo em crescimento, a pele reclama. As espinhas vêm infernizar nossa vida. Não entendo a necessidade dessa explosão que intimida, que irrita e muitas vezes faz com que a timidez se torne vergonha de si mesma. Vale dizer que a crueldade está realmente muito presente nessa fase. E claro, existem as pessoas que passam por essas mudanças numa boa. A minha fase foi terrível. Uma vez me perguntaram se eu estava com catapora. “Não querida”, são espinhas internas que ficam vermelhas, incham, doem e ainda tem gente como você que vem cutucar a autoestima alheia. Graças à minha mãe pude fazer um tratamento que salvou minha vida pública. Hoje as coisas parecem mais fáceis, pois entendem a acne como algo a ser tratado e que pode deixar marcas profundas não apenas na face, mas também na personalidade de alguém.

Passando por esses momentos, vamos amadurecendo nossas opiniões, as neuras vão mudando e vamos aflorando para a vida. Aprendemos a conhecer o nosso corpo e a encontrar alternativas. Você enxerga que tem qualidades almejadas e o negócio é destacar o que tem de melhor.

Mulher se martiriza tanto…é cansativo. A melhor paixão da vida é a que sentimos por nós mesmas, pois aí sim nos encontramos e enfrentamos qualquer desafio, seja a batalha da aparência ou a conquista do seu lugar no mundo, no mercado de trabalho, nas curvas de nossas escolhas.

Quando nos sentimos bem, e isso pode variar de acordo com os hormônios também (rsrs), ficamos mais seguras e embalamos pacotinhos de felicidade para distribuir por aí. Amor próprio faz cócegas (cosquinha mesmo), NA ALMA.

Quando nos sentimos amadas, tudo muda. Mas nada como amar a si mesma. Sem isso, nada adianta, nada fica bom, tudo desajeita. Eu sempre me senti vivendo cenas de cinema. Muito engraçado como algumas coisas acontecem em câmera lenta. Mas o mais importante: não dá para voltar no tempo. E quanto tempo perdemos tentando achar o que está dentro de nós?

Meninas, espero que encontrem seu amor próprio, lhe abracem e ofereçam um sorvete de alegria sem pensar nas calorias.

@Nanda Soares para Why Menina <3

Por que você fez isso? Revenge Porn

Capa do Filme Cyberbullying
Capa do Filme Cyberbullying

A pornografia de vingança (revenge porn) acontece quando alguém expõe suas fotos ou vídeos íntimos na internet sem o seu consentimento, na maioria das vezes por vingança, raiva ou como provocação, “inocente” brincadeira de mau gosto. Namoro, amizade ou qualquer outro relacionamento pode ter seus altos e baixos, mas nada justifica essa agressão. Ano passado, pela primeira vez, condenaram alguém por esse crime na Califórnia. Um homem publicou fotos de sua ex-noiva desnuda no facebook e ela não deixou barato. Até mesmo os comentários depreciativos que ele fez entraram nessa história. No Brasil, as leis ainda são cheias de brechas.

A pornografia de vingança é uma modalidade do Cyberbulliyng, ação que se caracteriza por hostilização banal sobre a vítima, agredindo e expondo a pessoa por meio de imagens ou textos via internet. Podem usar de diversas ferramentas para tal, configurando assédio moral que acaba tomando uma proporção muito maior no meio virtual. Leia mais sobre Cyberbullying: violência virtual e o enquadramento penal no Brasil.

Imagine como isso pode mudar e até mesmo destruir a vida de uma pessoa. Há casos de meninas que não aguentaram a pressão e tiverem que mudar de cidade. Em casos mais graves, ocorreu suicídio. As vítimas são expostas e todos que fazem parte da sua vida são afetados também.

A Revista Carta Capital publicou uma matéria falando sobre Os suicídios de garotas que tiveram suas fotos íntimas vazadas na internet.

“Hoje de tarde dou um jeito nisso. não vou ser mais estorvo pra ninguém”. Essa foi a frase que a estudante Giana Laura Fabi, de 16 anos, escreveu no Twitter antes de se matar. Ainda segundo a família, o suicídio da garota teria sido motivado pelo vazamento de uma foto sua mostrando os seios. Dias antes, uma estudante do Piauí (17 anos) havia se matado por motivo semelhante.

Como não falar disso? Está acontecendo com nossas meninas em muitos lugares do mundo. Está acontecendo aqui. Qual o papel da escola e do governo nesse sentido? Estamos  totalmente conectados: um clique pode transformar a realidade de muita gente.

Adolescentes seguem padrões rígidos de beleza disseminados por todos os meios. Se antes a TV dominava, agora as redes sociais se misturam ao cotidiano de meninas e meninos. Se fotografar e deixar-se ser fotografad@ virou moda. Cobranças estéticas e a fórmula mágica da felicidade instantânea compartilhadas por aí. Se para mulheres adultas já é pesado encarar tudo isso, imagine para as meninas. No meio do caminho, para satisfazer o desejo estrelado intimamente, tornando-se celebridade para si mesma e para o outro, encontram cortinas abertas quando não deveriam estar.

Mas, lembrem-se, a culpa não é da vítima. A nossa cultura machista reforça o hábito de martirizar quem foi exposto. Infelizmente, é preciso tomar cuidado, pois mesmo as pessoas que achamos que conhecemos e confiamos podem ter atitudes inesperadas. Além disso, existem casos como o da atriz Carolina Dieckmann, que teve suas fotos íntimas roubadas e divulgadas por Hackers. O caso dela (2011) ajudou na criação de uma lei que leva o seu nome: a Lei Carolina Dieckmann. Aprovada pelo Congresso Nacional em 2012, prevê multa e pena de prisão de até um ano para quem acessar e divulgar dados sigilosos sem autorização.

Outras celebridades como Rihanna, Wynonna Ryder, Demi Lovato e Vanessa Hudgens também tiveram fotos divulgadas. De acordo com informações do BuzzFeed, as fotos podem ter sido roubadas por causa de um problema no sistema de backup iCloud, da Apple.

Precisamos sim de leis que punam essas atitudes, mas precisamos também de informação, de uma educação não sexista, de relacionamentos verdadeiramente confiáveis, de mais atenção aos nossos jovens, de uma transformação social.

Nanda Soares para o Blog do Projeto Why Menina

Nas entranhas do feminino

O livro A Tenda Vermelha, escrito por Anita Diamant, traz a fortaleza e a fragilidade das mulheres imersas numa cultura que favorece a negociação de suas vidas. Diante do olhar penetrante que apresenta a narrativa, vamos redescobrindo o cotidiano de personagens bíblicas, sentindo seus anseios, suas alegrias, o gosto das lágrimas e do pão, a dor e o amor que brota de cada relação. Ao mesmo tempo nos entregamos ao desenrolar da história contada por Dinah, filha de Lia e Jacó.

Este livro nos traz diversas provocações e nos coloca diante de um mundo que parece distante, mas que levanta questões não resolvidas até hoje, principalmente em determinadas culturas.

Para mim, foi impactante acompanhar a saga das mulheres menos favorecidas, escravizadas em uma vida pouco ou nada instigante, nada feliz, nada, sempre um nada. Era assim que se viam e eram vistas, como um nada, um mero objeto nada digno de respeito.

Também percebe-se a aspereza, o peso do trabalho, a relação com a natureza e com os animais. O tipo de interação entre os homens também vem à tona revela a intensa “marcação de território”.

Relevantes passagens da trama trazem aquilo que não é implícito nos sentimentos das personagens, configurando detalhes que nos fazem mergulhar cada vez mais na leitura, na descrição e narrativa da história de um núcleo familiar. Sofri e celebrei com Dinah a sua metamorfose.  São as descobertas, os medos, curiosidades e lembranças dessa menina e mulher que constroem o cenário, as cenas, cada por do sol e cada refeição. O diferente se dilui quando nos deparamos com específicas sintonias que dizem respeitos às mulheres.

Aqui, na narrativa de A Tenda Vermelha, confrontamos antigos valores, nos assustamos e nos deliciamos.

A trajetória de Dinah é sugerida apenas no livro de Gênese, e cada vez mais fica claro a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre as mulheres presentes na bíblia. Histórias que ficam à sombra, escondidas. Não é de se admirar que quando alguma narrativa vem à tona, venha com tanta força, como as mais conhecidas descrições de Maria Madalena, Maria de Nazaré, Haab, dentre outras.

Por fim, fica entendida a castração dos sentimentos. Não que estes deixem de existir, mas são enterrados junto com perspectivas, sonhos e alma. Fica clara a força da cortesia, do amor, da entrega e da confiança. Coloca-se à prova toda dor, a submissão, a rivalidade, a compaixão e as próprias crenças.

Não deixem de ler essa obra!

Sobre a autora do livro:
“Nascida em Nova Iorque, Anita Diamant é uma premiada jornalista e autora de cinco livros sobre a vida judaica contemporânea. Durante mais de 20 anos, como jornalista freelancer, escreveu artigos para diversos jornais e revistas. A Tenda Vermelha é sua primeira obra de ficção”. (www.esextante.com.br)