Diálogos aborda direitos das garotas de programa em forma de quadrinhos

O Projeto Diálogos pela Liberdade assume sua missão numa nova perspectiva de sensibilização em 2015. Atuando na problemática que afeta diretamente as mulheres que exercem a prostituição, o projeto visa o enfrentamento do estigma sofrido pelas garotas de programa, da desigualdade de gênero e da violência contra a mulher.

Para abordar de forma direta os problemas vividos pelas mulheres no exercício da prostituição nos hotéis da rua Guaicurus, está sendo criado o primeiro exemplar de uma revista em quadrinhos voltada para a conscientização sobre a realidade do cotidiano dessas mulheres. Com o título de GAROTAS DO HOTEL , o trabalho busca olhar de dentro para fora com o objetivo de mostrar, criativamente, o cotidiano delas. A intenção também é empoderá-las com informação para que elas possam lutar por seus direitos, já que esses são frequentemente violados pelos donos dos locais e outras pessoas que lucram, direta e indiretamente, com o trabalho sexual.

A Conectidea atua nesse projeto desenvolvendo o roteiro e direção criativa dos quadrinhos, em parceria com o Estúdio Black Ink, que cuida da ilustração.

Coordenação: José Manuel Uriol – Pastoral da Mulher/BH

Texto/Roteiro e Direção criativa: Nanda Soares – Conectidea

Ilustração e diagramação: Hilton Rocha – Estúdio Black Ink

American Reflexxx – O confiante e o diferente assustam

O documentário, curta-metragem, dirigido por Ali Coates em Myrtle Beach (Carolina do Sul/EUA) é um experimento social revelador e assustador. O que uma máscara de espelho pode provocar nas pessoas? Parece que ali vemos o reflexo de uma sociedade que se enfurece com o desconhecido, com o diferente; ainda mais quando esse diferente parece confiante.

Jovens, mulheres e homens, curiosos, armados com seus celulares. Câmera em punho, palavras no gatilho e a ousadia da violência gratuita. A performance de Signe Pierce, que usava roupas de stripper e uma máscara reflexiva tampando seu rosto,  não apenas chamou a atenção do público que passava por uma movimentada rua, como também trouxe à tona o que há de pior em nossa sociedade. Minutos inquietantes que mostram as pessoas curiosas acompanhando seu caminhar, querendo ver o que acontece depois. Uma câmera em movimento, a reação das pessoas sendo registradas e o clima vai ficando cada vez mais pesado. Um vestido azul muito curto, salto alto, gente tentando descobrir se ela é homem, mulher ou trans. Sua identidade de gênero é uma incógnita. As pessoas riem, a seguem, jogam coisas, a derrubam violentamente. Mulheres notavelmente como autoras das violências. Não a queriam ali, a machucaram.

É deprimente, chocante e assustador ver como o confiante e o diferente assustam. Nossa sociedade engolida pelo preconceito, pela intolerância vivida e praticada entre jovens, justo aqueles que deveriam ter um olhar mais aberto sobre o mundo. Após jogarem água e objetos, a empurram. Uma mulher a empurra com as mãos e os outros com a conivência. Ela cai e fica. Ninguém faz nada. Ela se levanta, sangue no joelho.

As pessoas se sentem afrontadas por aquilo que lhes parece contrário e canalizam toda a sua raiva para cometer atos de violência. Por estarem em grupo, sentem-se ainda mais corajosas. Ninguém se importa se está sendo filmado. Primeiro se divertem, depois atacam. Há algo de desumano tomando conta.

Marina Abramovic  realizou trabalhos pioneiros ao expor seu próprio corpo à face da verdadeira natureza humana. Suas performances buscavam trazer à tona sentimentos e comportamentos escondidos, que aparecem quando somos provocados. Em 1974, com o projeto Rhythm, ela ficou à mercê do público que poderia usar os 72 objetos disponíveis na mesa da forma como quisessem em seu corpo. Ali estavam uma arma, uma bala e um chicote. Tudo começou com curiosidade e acabou em violência, assim como no vídeo de Ali Coates.

"O que eu aprendi é que se você deixar nas mãos do público, eles podem te matar. Eu me senti realmente violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa na minha barriga, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e outra a retirou. Isso criou uma atmosfera agressiva. Depois de exatamente 6 horas, como eu tinha planejado, me levantei e comecei a caminhar em direção ao público. Todos fugiram para escapar de uma confrontação presente." Abramovic, após a performance "Rhythm 0" (1974)

As pessoas testam os limites de sua própria índole, mas são incapazes de olhar cara a cara para as suas atitudes. Ali, com Abramovic, ninguém queria ser confrontado.

O mais inquietante na vídeo-performance de Signe Pierce é seu rosto coberto. As pessoas olham e enxergam seu próprio reflexo. A violência é refletida. Em alguns momentos ela se volta e parece enfrentar o público, que corre, como se tivesse cutucando um bicho que acordou.

Onde está a liberdade de ir e vir? Somos livres para sermos o que quisermos? O que isso nos diz sobre estereótipos, sobre estigma? Para refletir!

Marketing de Conteúdo: o investimento certo para a sua empresa

Por Nanda Soares

Reconhecimento da sua marca no mercado, fidelização de clientes e a sua história compartilhada. O marketing de conteúdo pode auxiliar a sua empresa nessa trajetória. Ter visibilidade e tornar-se referência para os seus clientes, alcançar seus potenciais consumidores e gerar mais receita: essas são algumas das vantagens de investir nesse tipo de marketing. De modo geral, a intenção é gerar conexão e presença personalizada junto ao seu público-alvo na internet.

A sociedade revolucionou as formas de buscar e analisar as marcas, então, as marcas também precisam adaptar um novo modo de se relacionar e interagir com seus consumidores. O marketing de conteúdo é ferramenta essencial para essa aproximação, pois vai ao encontro do seu público levando conteúdo relevante para responder às suas necessidades, e não apenas espera que venham até você. O poder do marketing de conteúdo está justamente nisso: criar um canal de comunicação direto com os clientes, converter leads e, consequentemente, aumentar suas vendas.

Confira alguns pontos importantes para começar a usar o marketing de conteúdo para favorecer o seu negócio:

  • 80% dos consumidores utilizam artigos como fontes preferenciais de informação sobre serviços e produtos.
  • 60% dos posts em mídias sociais estão linkados a conteúdo.
  • 58% dos consumidores confiam em conteúdo editorial.
  • Blogs são 63% mais bem-sucedidos na hora de influenciar decisões do que revistas.
  • 70% dos consumidores preferem conhecer uma empresa via artigos, ao invés de anúncios.

Aí estão apenas alguns argumentos baseados na melhoria dos resultados de empresas que apostaram no marketing de conteúdo e conseguiram aperfeiçoar o alcance de leitores para suas páginas, tiveram crescimento de visibilidade no mercado e se tornaram autoridade perante seus clientes. O conteúdo customizado já é considerado o futuro do marketing e configura fator essencial dentro de um planejamento de comunicação, sendo importante recurso para engajar seu público.

Outras vantagens de usar o marketing de conteúdo na sua empresa podem ser encontradas nas comparações com o marketing convencional. Pesquisas apontam que 86% das pessoas se esquivam dos anúncios de TV e que 70% dos consumidores se sentem mais próximos das marcas como resultado do marketing de conteúdo. Empresas que adotaram esse tipo de marketing, que preza pelo engajamento com os clientes, contabilizaram ampliação no tráfego da web a partir de blogs, webnars, estudos de caso e vídeos. Além disso, os custos do investimento relacionados ao marketing de conteúdo são geralmente mais acessíveis do que os de publicidade convencional.

Nas mídias sociais é necessário ter conteúdo interessante para conectar-se de modo mais efetivo com o seu público potencial. Esse cuidado pode ser uma das razões para que um usuário siga a sua marca e estabeleça formas de relacionamento com ela. Também devemos lembrar que a qualidade do conteúdo influenciará na sua fidelização e acesso contínuo. Para ter resultados relevantes e uma produção de conteúdo assertiva, o profissional de content marketing irá identificar buyers personas para definir objetivos e montar uma estratégia de marketing adequada, ou seja, conhecer as características do seu cliente ideal para customizar e otimizar a sua presença online. Ao utilizar o marketing de conteúdo como ferramenta do Inbound marketing, é possível potencializar ainda mais o seu retorno, transformando estranhos em clientes promotores da sua marca.

Então, você já percebeu que o conteúdo é uma grande força do marketing digital e pode trazer resultados reais para a sua empresa, proporcionando vantagem competitiva e um lugar privilegiado frente ao seu público-alvo. Invista em marketing de conteúdo, cultive clientes felizes, mantenha-os informados e esteja sempre pronto para produzir e atender novas demandas.

Fontes:

http://contentools.com.br/wp-content/uploads/2014/01/infografico-marketing-de-conteudo.pdf

http://rockcontent.com/wp-content/uploads/2013/12/62razoes.pdf

http://www.inboundwriter.com/content-marketing/infographic-the-anatomy-of-content-marketing-2/

http://www.demandmetric.com/content/content-marketing-infographic

Café & Cultura em Belo Horizonte

Nada mais gostoso do que compartilhar o espaço do cinema, do teatro, da exposição ou concerto com o bom e velho café. Pode ser o famoso cafezinho coado de sempre, o expresso gourmet, com ou sem chantili, um cortado ou um macchiato.  E não podemos esquecer do bom cappuccino, o queridinho. Tudo isso num só espaço.

Em Belo Horizonte temos locais fantásticos para vivenciar essa sintonia fina de cultura e sabor.

CAFÉ DO PALÁCIO

Instalado no Palácio das Artes, o café passou por uma reforma que o tornou mais  elegante e integrado ao espaço. Também está bem mais confortável que antes. O atendimento é bom, mas se estiver muito cheio, irá esperar um pouquinho. Ali ao lado, uma galeria e uma livraria para distrair. O café fica no piso de baixo e tem saída para o Parque Municipal.  Boas opções de lanches rápidos e claro, não poderia deixar de citar o bom cappuccino!

Café do Palácio

Endereço: Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro | Telefone: 31 3222-5657

CAFÉS DO CCBB

café

Café com Letras – CCBB

O Café com Letras tem uma unidade dentro do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, localizado na Praça da Liberdade. É um café-restaurante estiloso, decorado com objetos do Museu do Cotidiano. Oferece opções diferenciadas e mais sofisticadas, seja para lanches, almoço ou jantar. Algumas vezes entrei e fui para outro lugar, pois queria algo mais simples. Oferece muitas opções, mas se quiser algo mais básico, melhor ir a outro lugar (minha humilde opinião). Dentre as bebidas destacam-se coquetéis, chopes e vinhos. Os sucos são muito bons, tem boa música e ambiente gostoso, com mesas na área interna e externa, onde acontecem intervenções culturais.

Sou Café

A cafeteria e lanchonete Sou Café traz opções diversificadas e com preços acessíveis. O ambiente é clean e agradável. Mesas dentro do café e do lado de fora ampliam a capacidade do local e o integram às intervenções artísticas. Os salgados costumam ser bons e os cafés também. Os sucos naturais/polpa deixam a desejar, mas esta não é uma avaliação contínua. *Achei um pouco aguados os sucos que já pedi, em especial o de manga, no qual faltava manga. A novidade por lá são os combos que combinam elementos do cardápio por um preço promocional. É uma boa opção!

Endereço: Praça da Liberdade, 450 – 7
Complemento: Centro Cultural Banco do Brasil | 
CCBB/BH – Telefone: 31 3431-9400

CAFÉ 104

O Café 104 fica na região central  de Belo Horizonte no Espaço CentoeQuatro. Lá você encontrará cinema, debates, ocupações artísticas, galeria e, claro, um café! Oferece pratos principais e sobremesas, tendo menu especial de pesticos aos sábados. O cardápio homenageia monumentos, prédios e avenidas que ficam na proximidade do Espaço. A bomboniere apresenta opções para cafés tradicionais e elaborados, desde o pingadinho até o Afogatto (café expresso gelado especial, com sorvete de creme, cobertura de ganache e chocolate).

café 104

Endereço: Praça Ruy Barbosa 104 – Centro – Belo Horizonte/ MG  | 31 3222.6457 |contato@centoequatro.org

Os homens e os esmaltes da Risqué

Polêmica da nova coleção de esmaltes da Risqué demonstra como o empoderamento feminino está em pauta.

Um produto feminino inspirado em atitudes dos homens que influenciam na cor de esmalte que a mulher vai usar. Quando comecei a ler a descrição dos esmaltes, pensei que poderia ter o nome de uma mulher, mas quem sabe poderia se desenvolver como boa ideia. Na verdade, a ideia foi “boa”, mas a redação “falhou”. Bem, já não sei mais. Quando o primeiro esmalte fala que o André fez o jantar, dá aquela ideia de parceria, de poder ficar com as unhas feitas mais um tempinho porque o cara ajudou (mas isso não deveria ser exatamente algo para surpreender uma mulher).

Nanda Soares para Why Menina – Continuar lendo: Os homens e os esmaltes da Risqué.

CineMulher #2 – Por um novo conto de fadas

Por um cinema que empodera!

Nos novos filmes da Disney temos visto uma grande evolução. Dramas familiares mais reais estão sendo contados sob uma perspectiva encantada. Frozen e Valente mostram mulheres e meninas que se diferenciam do mundo da lua que as princesas viviam anteriormente; elas se libertam. Mostram o amor de uma forma diferente. O melhor é trazer as mulheres como irmãs, amigas, e não inimigas mortais.

Continue lendo: CineMulher #2 – Por um novo conto de fadas.

A enigmática subjetividade da arte

Há algum tempo conheci o trabalho de Audrey Kawasaki e quero dividir meu encantamento. Entre o inocente e o erótico, o frágil e o forte, essa artista compõe figuras em estilo gráfico combinando-as com o grão de madeira, trazendo a melancolia e vivacidade do mangá em sintonia com a Art Nouveau¹, que foi um dos estilos estéticos que abriu caminho para o design moderno. Questões de gênero, personalidades, desencontros emocionais, posicionamentos diante do mundo descritos em ilustrações marcantes.

Dentre os trabalhos dela, cito aqueles que considero mais significativos: “wrapped”, “Yuria”, “Karamari”, “tear me”, “dreamer”, Shyoujyo, “Lydia”. Dentre os mais lindos e meigos desenhos elejo “Annabelle”.

A enigmática subjetividade da arteAnnabelle - By Kawasaki

Annabelle – By Kawasaki

Ao conhecer a arte de Kawasaki, percebe-se a mulher, os olhares e a expressão feminina assumindo o centro das atenções. Também há o sexualismo feminino-feminino, retratos narcísicos e, por vezes, um toque sombrio na presença de esqueletos. Os animais também estão muito presentes no seu trabalho.

Para quem quiser conferir algumas obras, acesse o site Audrey Kawasaki!

1- Art nouveau ([aR.nu’vo], do francês arte nova), chamado Arte Nova em Portugal, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitetura que também influenciou o mundo das artes plásticas.

A era das solidões disfarçadas

Então é isso. A virtualidade alheia se acomoda onde a real presença deveria estar.

A solidão nunca foi tão real. Mas, no silêncio de um quarto enfeitado de histórias e com o aroma do próprio perfume, boa música e palavras para escrever, essa distância parece trazer certa calmaria. Enquanto isso, por aí, estão as solidões agitadas, disfarçadas nas boates lotadas, com gente bebendo seus copos de coragem.

Ninguém quer ficar sozinho, mas está. O amigo que mora longe, o que casou e adotou uma nova versão de diversão, aquele isolamento em mundos tão restritos e tão supostamente protegidos. Será mesmo que querem o não envolvimento? Será mesmo que a moda é o descompromisso amoroso? Mas, até mesmo o amor tem novos significados. Os amores dos contos de fadas já não fazem tanto sucesso como antigamente, mas nem por isso deixamos de sonhar com príncipes e princesas. Hoje em dia, após pouco tempo de convivência, as pessoas se dão ao direito de tentar mais uma vez, mais uma história, mais um talvez. Parece que estão sempre à espera do que caiba em sonhos fartos de expectativas cinematográficas. Afinal, quem não quer viver uma comédia romântica?

Então é isso, homens e mulheres reclamando da dificuldade de se relacionar. Na verdade, fica o medo da entrega, da intimidade, do contato com a imperfeição, pois, até dado momento, a mágica do “não-problemas, não-compromisso, não-família” está vigorando. Mas é a superficialidade que facilita a distância. Vê-se apenas o bonito, o maquiado. A maquiagem dos homens e mulheres. Tudo anda tão maquiado hoje em dia que quando se deparam com a proximidade, com a cara lavada, as pessoas recuam com medo de enfrentar uma ilusão. Neste tempo e espaço acabam confundindo o real significado de ilusão.

@Nanda Soares – Xícara Conteúdo

Bullying, depressão e um balão prestes a estourar

Meninas de asas quebradas

Tudo em nós que parece não se encaixar aos padrões, é passível de bullying. Na escola, na academia, na família, na universidade, na rua, na internet. E agora? O bullying virtual está em todos os lugares e vemos cada vez mais histórias de meninas que, acuadas e pressionadas pelas ações de terceiros mal intencionados, entram em depressão, colapso nervoso, desenvolvem anorexia, bulimia e outros distúrbios que fazem mal a elas mesmas. Os outros: os outros continuam rindo, fingindo não ver, vivendo suas vidas.

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Bullying quebra asas – Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

 

Com as redes sociais, vemos um campo aberto para disseminação de ofensas que podem afetar e até mesmo devastar a vida das pessoas. A autoestima e a segurança para seguir em frente é atropelada. Vemos por aí meninas de asas quebradas, presas em infernos astrais e pesadelos da vida real. É como se vivessem pisando em balões de gás, prestes a estourar. Lá embaixo, um abismo de exposição, olhares e julgamentos. Muitas vezes, o tombo é tão grande que leva à morte. Essa é uma metáfora para falar dos casos de meninas que sofrem tanta fadiga emocional que chegam ao suicídio.

A depressão altera o humor, o comportamento, o desejo, a saúde. A tristeza e medo persistentes mudam a pessoa que sofre com isso. E mudam suas relações no mundo. O caso de Amanda Todd, uma adolescente de 15 anos, é exemplo disso. As agressões teriam começado quando ela teve sua imagem exposta em um página no facebook criada para divulgar a jovem de topless. Como isso aconteceu? Aos 12 anos ela foi convencida a mostrar os seios pela internet e depois disso sua vida virou um pesadelo. A página se disseminou e os colegas da escola não deram trégua. Ela se mudou de casa e de várias escolas, mas o assédio foi além do que ela poderia suportar. Amanda se enforcou após a saga de sofrimento decorrente do cyberbullying. E isso não é um fato isolado. Por isso temos que refletir, informar, sensibilizar, prevenir e buscar formas de punir os agressores. A adolescente Rebecca Ann Sedwick, 12 anos, suicidou-se na Flórida, depois de passar mais de um ano sendo aterrorizada com  o bullying on-line dos colegas. Segundo a mãe da menina, sua filha recebia mensagens de texto como: “Você é feia”, “Por que você ainda está viva?” e “Se mate”.

Infelizmente, as testemunhas de bullying acabam se calando por medo de serem a próxima vítima. Mas esse comportamento precisa ser orientado para novas formas de empoderamento. As vítimas sofrem caladas e são sufocadas por ameaças, por calúnias em cima do acontecido, por palavras e atos hostis, além do isolamento. Quando isso acontece na escola, quais atitudes são tomadas pela direção e professores?

Reduzir a prevalência de bullying nas escolas pode ser uma medida de saúde pública altamente efetiva para o
século XXI. (Lopes Neto – Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria)

Bullying quebra asas, afoga o potencial de interação das pessoas, modifica sentimentos, agride, mata. A estudante Julia Gabriele, de 12 anos, foi vítima de cyberbullying no facebook, feito por contestáveis páginas de humor. Postaram suas fotos e fizeram brincadeiras desagradáveis sobre seus pelos faciais.A Revista Toda Teen contou o caso de Julia, seu desespero e a repercussão em sua família. Mãe e filha choraram e suplicaram para que parassem.

Me odeiam, mas eu nunca fiz nada para nenhum deles. (Julia)

Meninas, entendam: Bullying e cyberbullying são crimes. Denunciem!

@Nanda Soares para Why Menina

Meu, seu, nosso português

O nosso português de cada dia tem fama de difícil entre estudantes e profissionais formados. O domínio da língua padrão escrita é desafio para muitas pessoas e constante tema de discussão. Após a reforma ortográfica de 2009, ficou ainda mais complicado aproximar alunos da dinâmica da escrita. Dentre textos narrativos, descritivos, argumentativos e dissertativos encontramos uma infinidade de perguntas que invadem limites estruturais, conhecimentos básicos mal incorporados e preconceitos linguísticos da nossa cultura. Saber português envolve mais que saber ler, escrever, falar, mas traz em si a capacidade de interpretação e expressão.

É óbvio que o hábito da leitura agrega pontos fortes na vida de quem está aprendendo. E convenhamos: aprendemos a cada dia. O tema da redação do Enem 2014 foi “Publicidade infantil no Brasil”. Apenas 250 estudantes conseguiram alcançar a nota máxima e cerca de 529 mil obtiveram nota zero. Apesar do tema não ter sido tão abordado como o do ano anterior, Lei Seca, a base de informações mínimas, inclusive contidas no próprio tema, já daria abertura para desenvolvimento do assunto, principalmente do ponto de vista da comunicação publicitária presente no dia a dia do mercado consumidor em que os candidatos estão inseridos.

Voltando ao assunto da reforma ortográfica, vemos  mudanças que envolveram toda a sociedade, até mesmo o mercado da propaganda. Rótulos promocionais com descrições de produtos, vídeos e outros materiais de divulgação sofreram adaptações para se enquadrar novamente ao padrão da língua culta. Uma gama de outras alterações foram acontecendo em sites, blogs, e-mails corporativos, placas, marcas, etc. Os próprios mecanismos de busca relacionados à língua portuguesa tiverem que correr contra o tempo para englobar as palavras modificadas e manter a credibilidade com informação atualizada.

Para quem ainda tem o pé atrás com o nosso querido e rico idioma, seguem abaixo dicas de sites para estudar português online:

Gramática Online

Português

Só Português

Brasil Escola

Português Fácil


@Nanda Soares para Xícara Conteúdo

Amor próprio faz cosquinha na alma

SE AMAR não é tão simples quanto parece. Desde cedo vamos capturando o que é ser bela, o que é ser feliz e construindo aquela casa imensa na qual muitas vezes não podemos entrar. E para o universo feminino, a estética vem de modo avassalador para criar as neuras que nos acompanham.
Amor Próprio
Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

Parece que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo e acabamos nos espelhando nos modelos que vemos na TV, nas revistas,  filmes e nos contos de fadas da vida moderna. Passamos um bom tempo tentando nos adaptar, até entender que não precisamos ser cópias do que julgam mais ou menos bonito, afinal, cada olhar um julgar. Até chegar nesse ponto, uma eternidade chamada autoconhecimento.

Quando eu era mais nova era muito magra, muito magra mesmo. No Brasil, ser muito magra não é algo assim tão desejável não viu. As magrelas vão saber o significado de uma calça em cima da outra para disfarçar o esqueleto e não entrar na linha de fogo da zoação dos colegas. Do outro lado, as meninas com peitos e bundas desenvolvidas e também aquelas que queriam ser magras. Mas por que você quer ser assim? Eu querendo ganhar uns quilinhos e você fazendo dieta do abacaxi?

Como se não bastasse o corpo em crescimento, a pele reclama. As espinhas vêm infernizar nossa vida. Não entendo a necessidade dessa explosão que intimida, que irrita e muitas vezes faz com que a timidez se torne vergonha de si mesma. Vale dizer que a crueldade está realmente muito presente nessa fase. E claro, existem as pessoas que passam por essas mudanças numa boa. A minha fase foi terrível. Uma vez me perguntaram se eu estava com catapora. “Não querida”, são espinhas internas que ficam vermelhas, incham, doem e ainda tem gente como você que vem cutucar a autoestima alheia. Graças à minha mãe pude fazer um tratamento que salvou minha vida pública. Hoje as coisas parecem mais fáceis, pois entendem a acne como algo a ser tratado e que pode deixar marcas profundas não apenas na face, mas também na personalidade de alguém.

Passando por esses momentos, vamos amadurecendo nossas opiniões, as neuras vão mudando e vamos aflorando para a vida. Aprendemos a conhecer o nosso corpo e a encontrar alternativas. Você enxerga que tem qualidades almejadas e o negócio é destacar o que tem de melhor.

Mulher se martiriza tanto…é cansativo. A melhor paixão da vida é a que sentimos por nós mesmas, pois aí sim nos encontramos e enfrentamos qualquer desafio, seja a batalha da aparência ou a conquista do seu lugar no mundo, no mercado de trabalho, nas curvas de nossas escolhas.

Quando nos sentimos bem, e isso pode variar de acordo com os hormônios também (rsrs), ficamos mais seguras e embalamos pacotinhos de felicidade para distribuir por aí. Amor próprio faz cócegas (cosquinha mesmo), NA ALMA.

Quando nos sentimos amadas, tudo muda. Mas nada como amar a si mesma. Sem isso, nada adianta, nada fica bom, tudo desajeita. Eu sempre me senti vivendo cenas de cinema. Muito engraçado como algumas coisas acontecem em câmera lenta. Mas o mais importante: não dá para voltar no tempo. E quanto tempo perdemos tentando achar o que está dentro de nós?

Meninas, espero que encontrem seu amor próprio, lhe abracem e ofereçam um sorvete de alegria sem pensar nas calorias.

@Nanda Soares para Why Menina <3

Por que você fez isso? Revenge Porn

Capa do Filme Cyberbullying
Capa do Filme Cyberbullying

A pornografia de vingança (revenge porn) acontece quando alguém expõe suas fotos ou vídeos íntimos na internet sem o seu consentimento, na maioria das vezes por vingança, raiva ou como provocação, “inocente” brincadeira de mau gosto. Namoro, amizade ou qualquer outro relacionamento pode ter seus altos e baixos, mas nada justifica essa agressão. Ano passado, pela primeira vez, condenaram alguém por esse crime na Califórnia. Um homem publicou fotos de sua ex-noiva desnuda no facebook e ela não deixou barato. Até mesmo os comentários depreciativos que ele fez entraram nessa história. No Brasil, as leis ainda são cheias de brechas.

A pornografia de vingança é uma modalidade do Cyberbulliyng, ação que se caracteriza por hostilização banal sobre a vítima, agredindo e expondo a pessoa por meio de imagens ou textos via internet. Podem usar de diversas ferramentas para tal, configurando assédio moral que acaba tomando uma proporção muito maior no meio virtual. Leia mais sobre Cyberbullying: violência virtual e o enquadramento penal no Brasil.

Imagine como isso pode mudar e até mesmo destruir a vida de uma pessoa. Há casos de meninas que não aguentaram a pressão e tiverem que mudar de cidade. Em casos mais graves, ocorreu suicídio. As vítimas são expostas e todos que fazem parte da sua vida são afetados também.

A Revista Carta Capital publicou uma matéria falando sobre Os suicídios de garotas que tiveram suas fotos íntimas vazadas na internet.

“Hoje de tarde dou um jeito nisso. não vou ser mais estorvo pra ninguém”. Essa foi a frase que a estudante Giana Laura Fabi, de 16 anos, escreveu no Twitter antes de se matar. Ainda segundo a família, o suicídio da garota teria sido motivado pelo vazamento de uma foto sua mostrando os seios. Dias antes, uma estudante do Piauí (17 anos) havia se matado por motivo semelhante.

Como não falar disso? Está acontecendo com nossas meninas em muitos lugares do mundo. Está acontecendo aqui. Qual o papel da escola e do governo nesse sentido? Estamos  totalmente conectados: um clique pode transformar a realidade de muita gente.

Adolescentes seguem padrões rígidos de beleza disseminados por todos os meios. Se antes a TV dominava, agora as redes sociais se misturam ao cotidiano de meninas e meninos. Se fotografar e deixar-se ser fotografad@ virou moda. Cobranças estéticas e a fórmula mágica da felicidade instantânea compartilhadas por aí. Se para mulheres adultas já é pesado encarar tudo isso, imagine para as meninas. No meio do caminho, para satisfazer o desejo estrelado intimamente, tornando-se celebridade para si mesma e para o outro, encontram cortinas abertas quando não deveriam estar.

Mas, lembrem-se, a culpa não é da vítima. A nossa cultura machista reforça o hábito de martirizar quem foi exposto. Infelizmente, é preciso tomar cuidado, pois mesmo as pessoas que achamos que conhecemos e confiamos podem ter atitudes inesperadas. Além disso, existem casos como o da atriz Carolina Dieckmann, que teve suas fotos íntimas roubadas e divulgadas por Hackers. O caso dela (2011) ajudou na criação de uma lei que leva o seu nome: a Lei Carolina Dieckmann. Aprovada pelo Congresso Nacional em 2012, prevê multa e pena de prisão de até um ano para quem acessar e divulgar dados sigilosos sem autorização.

Outras celebridades como Rihanna, Wynonna Ryder, Demi Lovato e Vanessa Hudgens também tiveram fotos divulgadas. De acordo com informações do BuzzFeed, as fotos podem ter sido roubadas por causa de um problema no sistema de backup iCloud, da Apple.

Precisamos sim de leis que punam essas atitudes, mas precisamos também de informação, de uma educação não sexista, de relacionamentos verdadeiramente confiáveis, de mais atenção aos nossos jovens, de uma transformação social.

Nanda Soares para o Blog do Projeto Why Menina