Perseverança, criatividade, profissionalismo e tradição

Gostaria de agradecer a  receptividade e colaboração do Sr. Danilo Savassi e e Desireé Savassi, entrevistados para essa matéria.

http://www.amipao.com.br/revista/revista_agosto_2012.pdf

Matéria publicada na editoria livre da Revista Amipão 103 – Redatora Freelancer – Nanda Soares

8 de julho – Dia dos Panificadores. Aproveitamos para fazer uma homenagem e trazemos a história da Padaria Savassi

Que maravilha começar o dia com aquele cheiro de pão fresquinho, saborear um alimento tão cheio de histórias e feito a mão. Dia 8 de julho é o dia do panificador. Dedicamos toda a nossa admiração a estes profissionais que trabalham incansavelmente há décadas para trazer à tona este produto que tanto nos apetece.

Essa antiga atividade é muito mais representativa do que se possa imaginar. A história do pão e do padeiro está presente na trajetória da humanidade. Há milhares de anos a.C, o pão já era produzido, mas com o fruto do carvalho triturado. As farinhas e demais ingredientes vieram depois, para agregar sabor e qualidade. Os egípcios são considerados os primeiros povos a utilizar fornos para assar pães. Hoje, a atividade se desenvolveu pelo mundo e o pão ganhou cada vez mais espaço e valor na nossa mesa. Segundo o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o Brasil conheceu o pão apenas no século XIX, e antes disso consumia-se o beiju. Foram os imigrantes italianos que expandiram a atividade panificadora pelo país, proliferando padarias com delícias típicas. A padaria Savassi é exemplo disso, já que faz parte desse evento. A Família Savassi veio da Itália para o Brasil em 1890, instalando-se em Barbacena e depois em Belo Horizonte.

Falando sobre as qualidades e importância de um bom panificador, Desirée Savassi, também sócio-proprietária da padaria que leva seu sobrenome, ressalta: “É preciso ter visão, estar sempre ligado às inovações, receitas, maquinários, tecnologias e tendências”. Ela faz parte da nova geração que perpetua o negócio, que é atualmente administrado pelos Savassi Márcia, Alessandra e Fernando.

O sócio-proprietário Danilo Savassi, no auge dos seus 89 anos de idade, relembra com orgulho alguns fatos marcantes da história desse empreendimento que se mistura à sua vida e de seus familiares. Ele conta que em 1916, Arthur Savassi, seu tio-avô refugiado da Primeira Guerra Mundial, montou a Padaria Nova Capital, uma das primeiras com entrega de pães na cidade. Seu pai, Hugo Savassi e o seu tio Juca (José Guilherme Savassi), trabalhavam no estabelecimento. Eles ganharam experiência e gosto pela cultura do pão, inaugurando, em meados de 1940, uma padaria na Praça Diogo de Vasconcelos, antiga Praça 13 de Maio.

Danilo nos fala de alguns detalhes interessantes e revela que o nome do empreendimento levaria o nome da praça, mas seu pai foi convencido a usar o sobrenome para se diferenciar. Eis que nasce a Padaria & Confeitaria Savassi. Segundo ele, começaram com 12 sacos de farinha por dia só no balcão; e cada saco dava 1.200 pães. Eram muitos pães por dia. O sorvete de leite do Raimundo também ficou famoso por lá e atraia a clientela.

Em 19 de agosto de 1942, a padaria foi arrasada num dos ataques a estabelecimentos de imigrantes durante a Segunda Guerra Mundial. Danilo diz: “um dos momentos marcantes da minha vida, depois de ter conhecido a minha mulher, foi a reabertura da Padaria 10 meses após terem saqueado, quebrado e queimado nosso negócio. Nós renascemos”.

“A padaria foi um sucesso. Instituímos um pequeno supermercado. Era diferente. Meu pai fazia o pão junto com o Juca e eles tinham um segredo que o tornava crocante, parecendo um biscoito. Assim nasceu a nossa Savassi e, com a Savassi, uma grande turma. Eu e alguns acadêmicos, de 30 a 40 rapazes, ficávamos ali na praça até meia noite e tantas. O local começou a pegar o nome de Praça da Savassi e acabou virando referência. Com o desenvolvimento da região, as casas residenciais foram se tornando comerciais e não havia mais onde estacionar e nem famílias para quem vender. Surgiram vários prédios comerciais. De 12 sacos de farinha, diminuímos para dois. Tínhamos outras entregas para os hotéis, mas precisávamos dar um jeito”, comenta Danilo.

A Padaria Savassi permaneceu na Praça até 1975, época em que se mudou para a Rua Rio Grande do Norte.

Para prosperar num determinado segmento, assim como na vida, é preciso ter perseverança, criatividade, profissionalismo e valorizar as raízes. Desireé Savassi incorpora esses princípios e diz: “A nossa essência é traduzida pela tradição de família. O nome da Padaria, que é o nosso sobrenome, deu título a uma das mais nobres regiões de Belo Horizonte e, as experiências de nosso pai (Fernando Savassi), avô (José Guilherme Savassi) e primo (Danilo Achiles Savassi) nos ensinaram a aproveitar as oportunidades. O nosso diferencial é atender a um nicho de mercado outrora pouco explorado e que não recebia a atenção devida. Hoje criamos produtos novos e diferenciados, visando atender empresas, hotéis, lanchonetes, restaurantes etc. Fornecemos coffee break e também atuamos em eventos”.

Agora em uma nova fase, a padaria está se reconfigurando. Será montada uma central de produção que deve ser inaugurada ainda no segundo semestre de 2012. Os produtos também poderão ser adquiridos na Rua Aimorés, n º 2017, no famoso Bairro de Lourdes.

A Padaria Savassi deixa sua mensagem:

“O nosso cliente e os nossos funcionários são os nossos maiores tesouros. Em tantos anos de mercado, só temos a agradecer, pois, são com vocês que aprendemos a nos transformar, a superar os constantes desafios e viver uma vida de grandeza – em casa, no trabalho e na comunidade. Aos panificadores, damos a nossa dica: determine uma meta e planeje, planeje e planeje! Não acredite que tendo tradição, seu mercado estará garantido. Inove, atualize-se, seja forte em sua caminhada pelo tempo. A vida é um ato constante de lutar. Orgulhe-se do seu passado quando você contempla, no presente, os frutos do seu trabalho. O que conquistou é seu, é fruto do seu querer e do seu esforço.”

http://www.amipao.com.br/revista/revista_agosto_2012.pdf

Matéria publicada na editoria livre da Revista Amipão 103 – Redatora Freelancer – Nanda Soares

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